Pedem um preço mensal.
Você se anima.
Abre uma planilha.
E aí começa o problema.
Quanto cobrar sem trabalhar de graça?
Essa é a parte desconfortável do primeiro pacote mensal de suporte de TI. Se você cobra barato demais, o trabalho invisível come sua margem. Se cobra alto sem explicar valor, o cliente compara com uma visita avulsa.
A resposta não é chutar. É construir o preço a partir de escopo, tempo, ferramentas, risco e margem.
1) Comece pela promessa, não pelo número
Antes de colocar preço, escreva o que o cliente está comprando.
Não "horas de suporte".
Não "monitoramento".
Não "me chama quando quebrar".
A promessa deveria soar mais ou menos assim:
> "Todo mês revisamos seus equipamentos, atendemos solicitações, acompanhamos alertas e entregamos evidência clara do que aconteceu."
A SBA, em sua guia de marketing e vendas, reforça a importância de definir como você convence o cliente a comprar e como ele entende o valor. Em suporte de TI, isso significa vender continuidade, menos surpresas e evidência; não só tempo técnico.
2) Defina o que entra antes de calcular valor
Pergunta direta:
O que o preço mensal inclui?
Se a resposta for "o que aparecer", você vai perder margem.
Defina pelo menos isto:
- quantos endpoints entram;
- horário de atendimento;
- canal para solicitações;
- suporte remoto incluído;
- rotina mensal de revisão;
- alertas que você vai acompanhar;
- patches que você vai revisar;
- relatório mensal;
- tempo de resposta esperado;
- o que fica fora.
Isso se conecta com o guia sobre o que incluir no seu primeiro pacote mensal de suporte de TI. Ali está o escopo base. Aqui vamos transformar esse escopo em preço.
3) Calcule seu custo mensal base
Seu preço mínimo precisa cobrir seu custo real.
Não o custo imaginário.
O real.
Comece com quatro blocos:
- horas técnicas estimadas por mês;
- custo interno da sua hora;
- ferramentas e licenças;
- administração, acompanhamento e relatório.
Exemplo simples para 25 endpoints:
| Item | Estimativa |
|---|---|
| Revisão mensal, alertas e patches | 4 horas |
| Suporte remoto básico | 4 horas |
| Administração e relatório | 2 horas |
| Buffer operacional | 2 horas |
| Total estimado | 12 horas |
Revisão mensal, alertas e patches
4 horas
Suporte remoto básico
4 horas
Administração e relatório
2 horas
Buffer operacional
2 horas
Total estimado
12 horas
Se o seu custo interno real é USD 15 por hora, essas 12 horas já custam USD 180 antes de margem, ferramentas e imprevistos.
A guia da SBA para calcular custos incentiva separar custos e entender o ponto de equilíbrio. Ela não fala especificamente de suporte de TI, mas a lógica vale igual: se você não sabe quanto custa entregar o serviço, pode vender bastante e ainda assim ficar sem lucro.

4) Some ferramentas sem escondê-las de você
O cliente não precisa ver cada licença, mas você precisa.
Um pacote mensal normalmente tem custos como:
- RMM;
- acesso remoto;
- segurança ou antivírus;
- backups, se você incluir;
- documentação;
- e-mail, domínio ou hospedagem, se você administra;
- tempo de administração das ferramentas.
Se você usa Lunixar RMM, o preço público atual oferece dois caminhos práticos para começar: Professional para operações mais sérias, com 250 endpoints incluídos por técnico, ou Plano por Dispositivo para pilotos e frotas muito pequenas. Você também pode validar o fluxo com um teste de 2 semanas, sem cartão, com até 5 dispositivos.
Isso permite testar inventário, monitoramento, alertas, patches e conexão remota antes de fechar a oferta mensal.
5) Adicione margem, não só sobrevivência
É aqui que muitos técnicos erram.
Calculam horas.
Somam ferramentas.
E deixam o preço quase igual ao custo.
Isso não é negócio. É sobrevivência com nota fiscal.
Business.gov.au, em sua guia para escolher uma estratégia de preços, recomenda calcular o custo total de entregar o produto ou serviço e depois adicionar markup ou margem. A guia também destaca custos relevantes como mão de obra, despesas gerais e impostos.
Para suporte de TI, uma fórmula simples pode ser:
Preço base = mão de obra + ferramentas + buffer de risco + margem
Exemplo:
| Bloco | Valor |
|---|---|
| Mão de obra interna | USD 180 |
| Ferramentas | USD 40 |
| Buffer de risco | USD 60 |
| Subtotal | USD 280 |
| Margem desejada | USD 120 |
| Preço mensal sugerido | USD 400 |
Mão de obra interna
USD 180
Ferramentas
USD 40
Buffer de risco
USD 60
Subtotal
USD 280
Margem desejada
USD 120
Preço mensal sugerido
USD 400
Não trate esses números como tarifa universal. Trate como método. O preço muda por país, cliente, complexidade, SLA, horário, visitas, ferramentas e experiência.
6) Defina um mínimo mensal
Um cliente com 3 computadores pode consumir mais energia que um com 25.
Porque o problema nem sempre é o número de endpoints.
É o contexto.
Alguns clientes:
- mandam tudo por WhatsApp;
- não aprovam mudanças;
- pagam atrasado;
- querem urgência, mas compram básico;
- têm software crítico sem documentação;
- esperam visitas mesmo comprando suporte remoto.
Por isso você precisa de um mínimo mensal.
Não para punir o cliente. Para sustentar sua operação.
7) Separe suporte mensal de projetos
Não coloque tudo dentro da mensalidade.
Cabeamento.
Migrações.
Novos servidores.
Compras.
Grandes implementações.
Tudo isso deve ser cotado à parte.
O pacote mensal mantém a operação visível, atende solicitações razoáveis, revisa alertas e entrega evidência. Projetos mudam o ambiente.
Se você mistura os dois, o cliente vai esperar projetos grátis porque "já paga mensal".
8) Apresente o preço com evidência, não com desculpas
Não diga:
"Cobro isso porque é o mínimo que consigo."
Diga:
"Este preço cobre endpoints, revisão mensal, suporte remoto, alertas, patches, relatório e acompanhamento. Projetos ficam fora para manter o escopo claro."
Depois mostre o fluxo:
- inventário inicial;
- revisão mensal;
- solicitações de suporte;
- alertas e patches;
- relatório;
- recomendações.
Se você está migrando de suporte avulso para uma oferta mensal, conecte essa conversa com como migrar de suporte avulso para suporte mensal de TI.
FAQ: preço do primeiro pacote mensal de suporte de TI
Convém cobrar por endpoint ou por pacote?
Para começar, um pacote com faixa de endpoints costuma ser mais fácil de vender: "até 25 endpoints". Cobrança por endpoint ajuda quando o cliente cresce ou quando você quer que o preço acompanhe a frota.
Quanta margem devo adicionar?
Depende do seu mercado, custos e experiência, mas não cotize só a custo. Você precisa de margem para imprevistos, tempo comercial, administração, aprendizado e crescimento.
Devo mostrar o custo das ferramentas ao cliente?
Não necessariamente. Você pode vender um preço mensal integrado. O importante é calcular ferramentas internamente para não absorver esse custo.
E se o cliente disser que está caro?
Compare com o custo de operar às cegas: usuários parados, urgências, visitas não planejadas, equipamentos sem patches e nenhuma evidência. Se ainda assim ele não vê valor, talvez ainda não esteja pronto para suporte mensal.
Posso começar barato só para entrar?
Você pode fazer piloto, mas com data, escopo e regras. Não transforme um desconto temporário na tarifa normal.
Não cobre mensalidade com mentalidade de suporte avulso
O preço mensal não é uma visita multiplicada por 30 dias.
É outra promessa.
Continuidade.
Visibilidade.
Evidência.
E ele precisa pagar você por sustentar tudo isso.
Lunixar RMM pode ajudar você a validar esse pacote antes de vender: conecte até 5 dispositivos no teste de 2 semanas, revise inventário, alertas, patches, conexão remota e relatórios, e use essa evidência para precificar com mais segurança.